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Entrevista WidgiLabs

1-    O que faz exatamente a WidgiLabs?

A WidgiLabs é uma empresa portuguesa especializada em WordPress. Concebe presenças diferenciadoras na Web totalmente baseadas em WordPress, ajuda na definição de uma estratégia digital e acompanha os projectos dos seus clientes desde a idealização até ao go-to-market. 

2-    Como é que surgiu a WidgiLabs?

A WidgiLabs surgiu de um sonho conjunto de criar a nossa própria empresa. Onde queremos trabalhar e onde temos espaço para criar coisas novas, explorar e concretizar ideias. Depois de dois anos a viver na Alemanha e a trabalhar na Agência Espacial Europeia, decidimos voltar para Portugal, onde o cenário em termos de empreendedorismo estava bem diferente do que tínhamos deixado para trás. Apesar de trabalharmos para o Mundo, ficamos mais perto da família, da boa comida portuguesa e do nosso clima fantástico.

3-    Quantas pessoas trabalham convosco?

Diariamente trabalhamos com uma equipa entre 6 – 10 colaboradores e iremos nos próximos meses adicionar mais 2 colaboradores.  É uma equipa estrategicamente pequena e adequada aos recursos que cada projecto específico exige. O que é uma vantagem porque beneficia de um núcleo forte e com conhecimento sólidos, ao qual adicionamos recursos que trazem uma perspectiva diferente e multidisciplinar. Por essa mesma razão possuímos uma rede de contactos extensa e que, directa ou indirectamente, contribui para o sucesso dos nossos projectos. 

4-    Porque só trabalham com WordPress e quais as principais vantagens desta ferramenta?

Foi uma decisão que tomámos. Era onde havia um maior cruzamento entre o que gostávamos de fazer e aquilo que sentimos que o mercado precisava. Devido ao nosso background de Engenharia Informática tínhamos possibilidade de trabalhar com outras tecnologias e plataformas, mas decidimos focar-nos no WordPress. O facto de ser open-source também foi uma das principais razões para esta escolha.

5-    Para determinados projetos o WordPress pode tornar-se limitativo?

É importante dizer que não o recomendamos para todos os projetos. Há projetos muito específicos que não tiram partido desta ferramenta e nesses casos não faz sentido usar o WordPress. No entanto, mais importante do que a ferramenta é a equipa tecnológica por detrás do projeto. 

6-    Sempre tiveste como objetivo criar a tua empresa ou o empreendedorismo surgiu de uma forma inesperada?

Era um sonho já dos tempos de faculdade. Um colega desafiou-me com a pergunta: “Já pensaste alguma vez em criar o teu próprio emprego?”. Na altura andávamos a ler o “Hackers & Painters” do Paul Graham e as startups pareciam destinadas a quem queria fazer a diferença no mundo, trabalhar com as mais recentes tecnologias, ditar as próprias regras e ter liberdade para ser diferente.

7-    A WidgiLabs, para além de um projeto profissional, é também um projeto familiar certo? Queres contar-nos um pouco desta história?

Eu e a Ana Aires, minha esposa e também sócia da WidgiLabs, conhecemo-nos na faculdade e desde então temos vindo a fazer o nosso caminho profissional um pouco em paralelo. Ao nível profissional, estivemos ambos na YDreams alguns anos e depois na Agência Espacial Europeia, na Alemanha. A Ana na área dos simuladores e eu na área dos sistemas de controlo de missões. Após algum tempo começamos a alimentar a ideia da criação de uma empresa tecnológica. Depois de uma viagem  a Portugal para participar no Mini-MBA do Mário Valente e obter algum aconselhamento, sentimos que tínhamos as condições para nos lançarmos. O empreendedorismo em casal dava outra entrevista só por si e já tivemos a oportunidade de partilhar algumas lições com outros casais que também decidiram ou estavam a pensar seguir este caminho.

8-    O que leva dois engenheiros informáticos a trocar uma posição na Agência Espacial Europeia, na Alemanha, pelo regresso a Portugal para criar a própria empresa?

R:  A vontade de querer fazer mais, de querer fazer as coisas à nossa maneira, com pessoas de quem nós gostamos. E também o desafio de trabalhar por conta própria e viver a aventura de ter um negócio próprio e ver até onde conseguimos ir.

9-    E entratanto já passaram 8 anos. Qual é o balanço? Para que tipo de setores de negócio trabalha a WidgiLabs? E para que mercados internacionais?

R: O balanço é muito positivo. A WidgiLabs é uma empresa que se tem consolidado no mercado dando cada vez mais resposta a projectos de grande complexidade. O facto de ser uma empresa pequena torna-a muito ágil. Os sectores para os quais mais trabalhamos são Media, Industria, Banca, Agências, e-Commerce, Startups, plataformas de e-learning e blogs de nicho, entre outros.

Também desenvolvemos projetos a  nível internacional, principalmente no Reino Unido, Nova Zelândia, Estados Unidos, Canada, Brasil e Angola.

10- Quais foram os principais projetos ao longo deste tempo?

O ano passado fomos responsáveis pelo lançamento digital do ECO.pt, onde tivemos a oportunidade de trabalhar lado a lado com uma redacção e onde conseguimos chegar ao mercado com um produto diferenciador tanto para Web como para Mobile. O projeto acabou por ganhar o prémio “Lançamento do ano” pela revista Meios & Publicidade, o que já tinha acontecido com o Observador, onde integrámos a equipa de desenvolvimento de um projeto que acabou por se tornar numa referência para o mercado dos media em Portugal daquilo que é possível fazer em WordPress. De destacar também o website da revista Forbes Portugal, onde atráves do WordPress conseguimos alimentar tanto o website como as aplicações móveis para a disponibilização da revista em formato digital. 

Trabalhámos também com startups no lançamento de soluções rápidas para testar novos conceitos no mercado. Como a Uniplaces, para a qual desenvolvemos o primeiro protótipo do produto com o qual vieram a ganhar o Startup Weekend e que lhes permitiu validar a sua ideia. Hoje, felizmente, são um case study e estão a  consolidar uma presença internacional de sucesso.

Nos projetos relacionados com a industria destaco a remodelação da presença digital da Liveplace, empresa líder em Portugal na venda de soluções construtivas, tendo atualmente 11 lojas espalhadas pelo país.

11- A WidgiLabs é especialista na área editorial. Esta é a vossa área preferencial?

R: É uma área pela qual temos um gosto especial sem dúvida. É também uma área que está a crescer e onde tudo está por fazer. É especialmente uma área em que temos desenvolvido um grande expertise pelo facto de trabalharmos directamente com jornalistas. Mas penso que é importante realçar que estamos vocacionados para dar o mesmo tipo de respostas em áreas distintas.

12-  Que novos projetos ou clientes podes desvendar?

Para já não posso desvendar muito, até por clásulas de confidencialidade com os clientes. A seu tempo revelaremos alguns pormenores. Estamos principalmente a atuar em áreas como o comércio electrónico, a criação de marketplaces, presenças digitais inovadoras e soluções à medida para startups e PMEs.

13-  Existem muitas empresas em Portugal a trabalhar exclusivamente em WordPress?

A trabalhar em WordPress muitas, exclusivamente como a WidgiLabs ainda não. Somos das poucas empresas nacionais realmente especializada em desenvolvimento WordPress e acabamos por dar apoio a agências maiores nos seus desenvolvimentos. 

Mas acredito que vão surgir cada vez mais. O mercado está mais competitivo e vemos isso de forma positiva. E é engraçado porque parte da nossa missão é precisamente acelerar o crescimento do WordPress e do seu ecossistema. Uma das principais vantagens do WordPress é precisamente o cliente não ficar refém de uma única empresa ou fornecedor se as coisas correrem menos bem. O cliente fica com a garantia de que nunca irá ficar com uma tecnologia obsoleta e para a qual não existe mais ninguém que saiba como trabalha com ela.  

14-  O que diferencia a Widgilabs da concorrência?

Acho que aprendemos com a cultura alemã a importância de conseguir entregar os projetos com qualidade e no devido tempo acordado. Apesar de parecer uma coisa simples, só isso já faz muita diferença, porque o mercado respeita isso.

15-  Como era o mercado quando arrancaram e como é hoje? Quais são as diferenças e os desafios do futuro?

Quando arrancámos havia muita “conversa” à volta da crise e da austeridade mas o que víamos, talvez por estar num espaço como o Coworklisboa, foram pessoas que queriam investir, tanto na criação de novos negócios como na remodelação e crescimento de negócios atuais. Graças a uma equipa fantástica, temos conseguido suster esse crescimento.

Se um site não nos chama a atenção ou se algo não funciona é muito fácil fechar essa janela e seguir para o Facebook ou para outro site. Esse é o grande desafio e vai continuar a sê-lo. Capturar a atenção das pessoas. Nunca foi tão importante para as marcas conseguirem surpreender e ter uma presença online que capte a atenção das pessoas e que apresente algo diferente e que vá ao encontro do que elas esperam. Esse é o nosso foco, sempre com base no WordPress, pois pensamos ser a melhor ferramenta para o conseguir.

16-  Consideras-te um dos pioneiros na introdução do WordPress em Portugal?

Onde fomos pioneiros foi mesmo na criação da WidgiLabs como empresa focada apenas em WordPress – quando começamos algumas pessoas perguntavam “porque é que só trabalham com o WordPress?” e  “como é que conseguem fazer isso?”. Mas felizmente tivemos um feedback muito positivo dos nossos clientes.

É preciso ver que o WordPress nasceu como uma plataforma para a criação de blogs e a sua utilização principal durante muitos anos era essa – as pessoas usavam-no para pôr no ar um blog pessoal e ponto final. Foi assim que comecei também a interagir com o WordPress, durante a faculdade, onde customizava o template e os plugins do meu blog – mas já nessa altura havia vários outros programadores que mexiam em WordPress.

17-  A empresa já recebeu algum financiamento externo? Estarias disponível para integrar novos sócios na empresa?

A empresa tem apenas capitais próprios e ainda não recebemos financiamento externo. Tivemos uma proposta de investimento logo no início mas nessa altura, mais do que o investimento monetário, o que pretendíamos era aconselhamento, networking e contatos. Acabámos por não aceitar porque as limitações nos pareceram demasiadas e não queríamos começar dessa forma. Mas é algo que vamos voltar a analisar muito em breve, até porque existem outras oportunidades e também tendo em conta o que queremos fazer.

18-  O que perdeste ao sair da Alemanha e o que ganhaste com o regresso a Portugal?

Voltei numa altura em que se começou a notar em Portugal uma nova dinâmica empreendedora.Quando fomos para a Alemanha não havia muito essa perspectiva. O mercado estava numa fase diferente. E apesar de termos voltado numa altura de crise, já se sentiam algumas novas tendências… Destaco a criação de coworks e os eventos que começaram a mobilizar as pessoas para começarem coisas novas. Tendência essa que se tem prolongado até agora, e cada vez mais. Tudo isso fez-nos tomar a decisão de regressar, porque percebemos que não é preciso estar lá fora para termos estas coisas.

Quando vivemos noutro país damos mais valor ao que temos em Portugal. Enquanto cá estamos, mesmo que inconscientemente, estamos à espera que o país nos dê alguma coisa, que nos forneça emprego e oportunidades. Quando vamos lá para fora percebemos que “ok eu aqui não sou deste país, portanto ninguém me vai dar nada, eu vou ter que me desenrascar sozinho”. E mudamos o nosso mindset. E depois de mudar esse mindset, estar lá fora ou aqui já não faz diferença.

19-  Quais são as principais diferenças entre os dois países?

Não querendo fazer generalizações o tempo que vivi na Alemanha leva-me a crer que as principais diferenças são a nível de palavra, valores e ética. De alguma forma na Alemanha quando alguém nos diz que algo vai ser feito (mesmo a nível dos serviços públicos) nós podemos ficar mesmo descansados que esse algo vai-se realizar. Há também a questão da pontualidade e do seguir das regras e acima de tudo há a questão da formação.  Eles são muito bons a educar. À data de hoje a Alemanha já produziu mais de 100 prémios nobel nas mais diversas áreas. 

Depois há a questão do nível de vida ser muito acima da média. Na Europa é apenas superado pela Finlância e pela Dinamarca.

20-  Como vês este crescimento de startups e do ecossistema do empreendedorismo em Portugal?

Tem-se promovido bastante o empreendedorismo em Portugal e são vários os agentes que estão a fazer um trabalho fantástico nessa área. 

Contudo penso que se dá demasiado foco ao “levantar capital” e transmite-te a ideia de que o caminho para crescer é apenas esse e que as empresas que levantam investimento são “vencedoras”.  Há uma série de negócios que rondam 1 – 2 milhões de euros/ano que ficam de fora do ecossistema porque não há recursos que se foquem em capacitar pessoas para saberem fazer crescer esses negócios e para usarem formas alternativas de financiamento como revenue based financing.

21-  Portugal tem potencial para crescer e para amanhã transformar as startups que gera quase diariamente em empresas de referência e a operar no mercado internacional?

Claramente que sim. Transformar as nossas startups em empresas globais de referência implica acima de tudo perceber que não é apenas uma questão de mindset. Para ser líder é preciso investir bastante em formação, marketing e inovação. E se há uns anos não tínhamos exemplos para apresentar hoje já temos alguns que nos podem servir de inspiração (“se o vizinho consegue eu também consigo”). Mas a palavra de ordem é mesmo “investir. 

22-  O que tem de melhor Portugal para oferecer aos empreendedores nacionais e internacionais que querem fazer crescer um projeto/negócio?

Talento; Suporte aos empreendedores; Clima/Gastronomia/Hospitalidade; Comunidades de makers, hackers, geeks, engenheiros. Espaços de cowork. Eventos culturais. Muita coisa.

23- Quais são as principais armadilhas que se deparam aos empreendedores quando começam um negócio? Como combater essas armadilhas?

Estar demasiado envolvido nas operações do dia-a-dia e não se focar nos outros aspectos do negócio como a criação de uma equipa de liderança/gestão,  internacionalização, recrutamento, etc. 

24-  Enquanto empreendedor, quais são as rotinas diárias de que não prescindes na gestão do teu negócio e da tua vida?

Não sei se há algumas rotinas diárias das quais não prescindo.. Na verdade não gosto de rotinas! Sei no entanto que passo pouco tempo a sonhar e a celebrar, duas práticas imprescindíveis para qualquer empreendedor, gestor ou líder. É a partir dos sonhos que devemos partir para a ação e é através do celebrar que reforçamos a nossa força interior para continuar a perseguir os nossos sonhos. 

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